NATAL/RN - O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, afirmou que pretende receber a faixa presidencial das mãos do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, caso seja eleito nas eleições de 2026. A declaração reforça a importância da família Bolsonaro na estratégia política do parlamentar e coloca a situação jurídica do ex-presidente no centro das discussões sobre uma eventual cerimônia de posse.
Segundo a declaração atribuída ao senador, Jair Bolsonaro participaria do momento simbólico de transmissão do cargo, acompanhando o filho na subida da rampa do Palácio do Planalto e colocando a faixa presidencial nele.
A proposta, porém, depende de condições políticas e jurídicas que ainda precisariam ser resolvidas. Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento em uma trama golpista e está sujeito às medidas judiciais decorrentes do processo.
Estratégia busca fortalecer o legado político de Jair Bolsonaro
A promessa de Flávio tem significado que vai além do protocolo da posse presidencial. Ao destacar o papel do pai em uma eventual chegada ao Palácio do Planalto, o senador sinaliza que pretende manter Jair Bolsonaro como uma das principais referências políticas de seu projeto de governo.
A iniciativa também procura mobilizar o eleitorado identificado com o bolsonarismo, que considera o ex-presidente uma liderança central da direita brasileira.
Em manifestações públicas, Flávio tem apresentado Jair Bolsonaro como uma referência política e pessoal. A presença do ex-presidente em uma eventual posse, caso seja juridicamente possível, funcionaria como um gesto simbólico de continuidade entre os dois projetos políticos.
Tradição da faixa presidencial voltou ao debate
A transmissão da faixa presidencial é um dos momentos simbólicos da posse no Brasil. Tradicionalmente, o presidente que deixa o cargo entrega a faixa ao sucessor, representando a transferência de poder entre governos.
Na posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em janeiro de 2023, Jair Bolsonaro não participou da cerimônia e não entregou a faixa ao sucessor. O gesto acabou sendo realizado por representantes da sociedade civil.
A possibilidade de Jair Bolsonaro entregar a faixa ao filho, portanto, representaria uma situação politicamente marcante, especialmente diante do histórico de confronto entre o ex-presidente e instituições do Estado.
A cerimônia, contudo, não altera as regras constitucionais de sucessão presidencial nem substitui os procedimentos oficiais necessários para a posse do presidente eleito.
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