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Amazônia em chamas: Mortes de indígenas yanomami e incêndios sem controle arrasam Roraima que pede socorro

Publicado em: 03/03/2024 - 8h36
Amazônia em chamas: Mortes de indígenas yanomami e incêndios sem controle arrasam Roraima que pede socorro

Roraima está em chamas. O fogo que se espalhou pelo estado está consumindo casas, animais e a vegetação.

Segundo os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o cenário de focos de calor que podem causar incêndios é o maior já registrado no estado nos últimos 25 anos.

Estado concentra quase 30% de todos os focos de calor do país até 28 de fevereiro. Problema é causado pela estiagem, agravada pelo fenômeno El Niño; governo federal reconheceu situação de emergência em 9 dos 15 municípios do estado.

O estado tem pouco mais de 200 mil km² de extensão e é o menos populoso do país. No entanto, desde o início do ano mantém 30% de todos os focos de incêndio registrados no Brasil, de acordo com o Inpe. São 2,6 mil pontos de fogo.

Os incêndios são causados por duas razões principais:

Seca severa: neste ano, a temporada de chuvas veio menor do que o esperado, reflexo do fenômeno El Niño. Entre as dez cidades mais afetadas pelo fogo, cinco estão em emergência pela estiagem.

Queimadas: Segundo especialistas, nesta época do ano, é comum que produtores façam incêndios para a limpeza de áreas de plantio e pasto.

Com o solo e a vegetação seca, as temperaturas altas e a falta de chuva, os pequenos focos logo ficam incontroláveis e se somam às queimadas na região.

 Para além de impactar na qualidade do ar, na segurança e na rotina de quem mora no estado, as chamas ainda atingem vegetação nativa da Amazônia — bioma que vem sofrendo com o desmatamento — e chegam até os territórios indígenas. Entre as sete TIs impactadas está a Terra Indígena Yanomami, que passa por uma grave crise de saúde.

Maiores focos de calor dos últimos 25 anos

Os moradores de Roraima estão vivendo em meio à fumaça. Em algumas regiões, a chama avançou sobre áreas onde há população residente e consumiu casas. Nestes dois primeiros meses do ano, o estado registrou o maior número de focos de calor no período.

Na capital Boa Vista, desde a última semana, as noites têm sido marcadas pelas nuvens de fumaça geradas pela soma de incêndios urbanos, na zona rural, e de municípios vizinhos, como o Cantá e o Bonfim, o que deixa a qualidade do ar péssima.

Segundo o monitoramento do Inpe, instituto ligado ao governo federal, esse é o maior volume de incêndio já registrado em Roraima desde 1999, ano que em que começou o serviço de identificação de focos de calor.

O ano de 2024 começou com os incêndios já acima da média. Até janeiro, eram 604 pontos com fogo em todo o estado. Em fevereiro, com o agravamento da seca e as altas temperaturas, o número mais que dobrou e desenhou um cenário de caos.

Até esta quarta-feira (28) o Inpe, que monitora a seca e as queimadas em todo o país, registrava 2 mil pontos de incêndio em Roraima no mês de fevereiro.

Somando os dois primeiros meses do ano, o estado acumulou 2,6 mil pontos de fogo, o que é um recorde histórico.

Para se ter uma noção do impacto no estado, ficam em Roraima oito das dez cidades brasileiras com maior volume de pontos de fogo, segundo o Inpe.

O estado divide o ranking com Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. 

Por causa dos impactos do fogo, no início do mês, o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima declarou estado de emergência ambiental em Roraima até abril de 2025.

El Niño e queimadas na zona rural

Roraima enfrenta o período seco desde outubro do ano passado e, segundo os meteorologistas, ele deve se estender até abril deste ano.

Segundo o histórico de dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) foram registrados 4,2 milímetros de chuva em todo o mês de janeiro inteiro. O índice representa 14% do esperado.

Em fevereiro, a chuva se manteve muito abaixo da média, com 21% do esperado. Choveu apenas 6,8 milímetros.

A falta de chuva colocou nove cidades em situação de emergência. São elas Amajari, Alto Alegre, Cantá, Caracaraí, Iracema, Mucajaí, Pacaraima, Normandia e Uiramutã.

Com a estiagem, na capital, Boa Vista, o Lago dos Americanos, que fica no Parque Anauá, ponto turístico da cidade, ficou completamente seco.

Foto: Oseias Martins/Rede Amazônica

Por Valéria Oliveira, Samantha Rufino, g1 RR — Boa Vista

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Mortes de indígenas yanomami em 2023 crescem 6% em relação a 2022

O Ministério da Saúde registrou aumento no número de mortes de indígenas yanomami em 2023.

Em janeiro de 2023 o governo declarou emergência em saúde pública no território yanomami e até dezembro, segundo números oficiais, morreram 363 indígenas — um aumento de 6% em relação a 2022, quando foram registradas 343 mortes na terra indígena. As principais causas: desnutrição e malária.

Segundo o centro de operações de emergência, só em novembro e dezembro foram 78 casos de desnutrição grave em crianças de até cinco anos. E os casos de malária mais que dobraram em 2023 – quase 30 mil.

32 mil indígenas moram nas comunidades em Roraima e no norte do Amazonas em uma área de quase 100 mil km² — equivalente ao estado de Pernambuco.

A Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde afirma que os números de mortes são preliminares e estão sendo investigados criteriosamente e alega que houve subnotificação de casos em 2022 e em anos anteriores, o que impede que se faça comparação com outros períodos.

Davi Kopenawa, presidente da ONG Hutukara Associação Yanomami, disse que o garimpo ilegal ainda é um das principais ameaças a saúde dos indígenas por causa da contaminação das águas dos rios e que é preciso reforçar o atendimento médico para as comunidades.

Jornal Nacional

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