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Saúde: Farmacêuticos da UFRN e da UFPB criam nova formulação no tratamento da diabetes tipo 2

Publicado em: 02/05/2023 - 2h10
Saúde: Farmacêuticos da UFRN e da UFPB criam nova formulação no tratamento da diabetes tipo 2

O grupo de cientistas responsável pelo estudo é formado por José Venâncio Chaves Júnior, Cícero Flávio Soares Aragão e Fábio Santos de Souza.

Um insumo farmacêutico ativo para uso no tratamento da diabetes tipo 2 foi criado por pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da Universidade Federal Da Paraíba (UFPB).

A principal aplicação da invenção justifica-se pelo efeito sinérgico hipoglicemiante (do qual resulta uma ação antidiabética) entre o ácido ferúlico e a metformina, podendo reduzir a dose desta última no tratamento para a doença.

A descoberta, depositada como pedido de patente em março junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), foi registrada sob o nome Sistema cristalino multicomponente de ácido ferúlico e metformina para uso farmacêutico e cosmecêutico e seu processo de obtenção. O grupo de cientistas responsável pelo estudo é formado por José Venâncio Chaves Júnior, Cícero Flávio Soares Aragão e Fábio Santos de Souza.

O professor Cícero Aragão, do Departamento de Farmácia da UFRN, identifica que testes farmacológicos realizados por outros grupos de pesquisadores para avaliação da atividade hipoglicemiante com os ativos em ratos atestaram o efeito sinérgico descrito. “Isso se caracteriza como ponto bastante positivo, pois uma parte considerável dos pacientes que fazem uso da metformina apresentam sintomas gastrointestinais indesejáveis, que são dose-dependentes”, ratifica o docente. A dose-dependência é se caracteriza pela relação direta entre a dose de um medicamento e seus efeitos.

Também participante da invenção, o professor Fábio Santos de Souza, da UFPB, acrescenta que há um protótipo desenvolvido a partir dos dados obtidos e que esse ativo já foi incorporado a uma formulação na forma de comprimido. Segundo ele, sua eficiência foi avaliada em estudos in vitro por meio de testes de dissolução que simulam as diferentes regiões do trato gastrointestinal.

Fabio de Souza, José Venancio e Cícero Aragão no Laboratório de Cobtrole de Qualidade de Medicamentos – Foto: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN

Fábio pontua ainda que não se pode chamar a tecnologia de fármaco, pois não foram realizados estudos de segurança e eficácia. “Uma etapa fundamental para dar continuidade à comercialização dessa invenção é a avaliação desses estudos in vivo. Para isso, no momento estamos desenvolvendo um método bioanalítico relativo à quantificação dos ativos em plasma sanguíneo e assim dar prosseguimento ao estudo de biodisponibilidade relativa em roedores. Esse trabalho, por sua vez, tem a finalidade de determinar se esses ativos, quando administrados por via oral, serão absorvidos pelo sangue para exercer sua ação”.

O estudo que deu origem ao pedido é fruto do doutorado de José Venâncio Chaves Júnior no Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento e Inovação Tecnológica de Medicamentos (Ppg/DITM) da UFRN e, em seu estágio atual, trata, tecnicamente, de um sal farmacêutico. Venâncio, que defendeu sua tese no último mês de fevereiro, salienta que, por ser apresentado no estado sólido, o produto pode ser incorporado em diversas formas, como comprimidos, cápsulas, drágeas, adesivos, granulados, géis, cremes, pastas e sistemas transdérmicos.

O ácido ferúlico já é utilizado comercialmente por sua propriedade antienvelhecimento em cosméticos graças ao seu potencial antioxidante, enquanto que a metformina é um antidiabético que atua para diminuir ou administrar a quantidade de glicose na corrente sanguínea. O que ocorre atualmente é que o ácido ferúlico apresenta limitada solubilidade em meios aquosos, situação que limita a sua absorção em medicamentos administrados por via oral.

“A presente invenção aumenta a solubilidade do ácido ferúlico em meios aquosos e melhora os seus parâmetros biofarmacêuticos, o que, consequentemente, faz com que a molécula, ao ser administrada por via oral, seja rapidamente dissolvida para ser absorvida. Outro ponto é que, pelo fato de ser associado com a metformina no mesmo cristal, não é necessário o uso de alguns outros excipientes, permitindo a produção de formas farmacêuticas com dimensões menores, facilitando a adesão ao tratamento pelos pacientes”, realça Venâncio.

Cícero Aragão observa resultados dos testes – Foto: Cícero Oliveira – Agecom/UFRN

Os autores da descoberta descrevem que foi alcançado um aumento de mais de 700 vezes na solubilidade em água para o ácido ferúlico, comparando com o ácido ferúlico isoladamente, chegando a valores maiores de 600 mg/mL, quando o usual é de 0,7 mg/mL. Comparando com outras tecnologias já relatadas na literatura para aumentar a solubilidade do ácido ferúlico, a invenção tem resultado muito superior.

Outro fator distintivo do produto patenteado se dá pelo fato de o sistema permanecer em seu estado cristalino, que intrinsecamente gera mais estabilidade ao insumo ativo. Os inventores situam que os estudos realizados até o momento, próximo a seis meses, mostram que o sistema vem mantendo sua estabilidade.

Aragão cita ainda outra utilidade da invenção. “Devido aos ativos usados, ácido ferúlico e metformina, também apresentarem potencial cosmecêutico, o uso da nova tecnologia pode ser ampliado para aplicação no tratamento de afeções da pele, como o melasma, que é um distúrbio de pigmentação caracterizado pelo surgimento de manchas na pele de tom amarronzado.”O procedimento para um inventor submeter sua descoberta para patenteá-la tem início no próprio Sigaa, na aba pesquisa, com a notificação de invenção. Após isso, os pesquisadores enviam os dados dos inventores e o texto da patente para o e-mail da Agência de Inovação (Agir) pela aba contato do portal da Agir. Posteriormente, é dado o suporte, seja no encaminhamento para ajustes no texto ou solicitando que acréscimos ocorram em casos específicos, como na situação do laudo de busca apontar anterioridades. Após esses pontos, a Agência elabora o Termo de Cessão (TC) e o envia aos inventores por e-mail para que sejam colhidas as assinaturas dos depositantes.

Depois de realizar o depósito junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), alguns prazos legais precisam ser obedecidos. A partir daí, começa a correr um processo administrativo, em que o Instituto pode pedir explicações de como o produto ou processo é inovador ou, eventualmente, desenhos e outras exigências formais. Após diversos prazos de requerimentos e manifestações, há o pedido de exame técnico, em que o interessado considera que já demonstrou devidamente que preenche os requisitos para receber uma patente e pede que o órgão decida se a concederá ou não. Todos esses pormenores são acompanhados pela equipe da UFRN, bem como os pagamentos de taxas são realizados pela Universidade.

Ascom UFRN

Wilson Galvão – AGIR/UFRN

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